Cinema: produção independente nacional

O Brasil possui variados festivais e mostras de cinema locais e de produções independentes todo ano e em muitos estados. É o caso do Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, o Festival de Cinema Feminino Tudo Sobre Mulheres, no Mato Grosso, e o Festival de Cinema ao ar livre de Porto Nacional, em Tocantins. Nesses eventos são revelados muitos diretores e roteiristas de cidades do interior que nunca teriam a oportunidade de divulgar suas obras, pelo menos não com tanta repercussão em meio a pessoas do mesmo interesse.

O problema é que essas produções cinematográficas independentes e nacionais dificilmente chegam às grandes redes de cinema, o que causa uma grande defasagem entre os investimentos e qualidade das produções. Um exemplo é que, em 2005, o filme 2 Filhos de Francisco, de Breno Silva, conseguiu 5 milhões de expectadores, enquanto O Veneno da Madrugada, de Ruy Guerra, apenas 3.476 (dados da revista Desafios do Desenvolvimento, de 2009).

A prova disso é que em 2004, apenas 51 dos 302 filmes que foram às telonas eram nacionais, e, além disso, os brasileiros conseguiram apenas 14% de bilheteria (dados do projeto Cultura Livre, ligado à FGV). Um fator que contribui para a chegada a esse panorama é que a definição dos filmes que serão exibidos está na mão de empresas estrangeiras, sem contar os altos preços dos ingressos.

Uma aposta para o futuro

Claudia de Heinzelin, consultora do Projeto Millenium, da Universidade das Nações Unidas, nos dá um sinal de esperança: “É fato que o cinema merece apoio, por ser uma questão de soberania cultural. Hoje, alguns filmes estrangeiros entram em cartaz, simultaneamente, em 600 salas brasileiras, o que não deveria ser permitido. Mas tem de haver formas alternativas de produção e distribuição. Os recursos tecnológicos mudaram muito, são mais práticos, ágeis e é natural que provoquem transformações”.

A verdade é que os custos caíram, as novas tecnologias estão mais acessecíveis, e as obtenções de patrocínio estão ocorrendo de forma mais natural e facilitada, o que atrai os jovens à essa indústria. O problema é que ainda estamos muito longe de consolidarmos o acesso de todos ao cinema e de abrir espaços maiores ou majoritários para a produção nacional nas telonas.

Patrocínios  e curiosidades

Para a solução desse problema de distribuição, muitas iniciativas privadas inovadoras e no mínimo curiosas estão sendo tomadas. É o caso da empresa de telefonia Telemar que, através de seu instituto, realiza um projeto chamado Cinema no Rio, que consiste numa barca que viaja pelo rio São Francisco exibindo filmes de produção nacional. O projeto, em 2006, atingiu cerca de 100 mil pessoas. A empresa também financia filmes, mostras, oficinas e festivais.

A Petrobras é a maior investidora em cultura brasileira, e atingiu em 2006, a marca de 10 mil sessões exibidas em escolas, asilos, grêmios esportivos, abrigos e centros comunitários de seu projeto Cinema BR em Movimento. A empresa também investe em toda a cadeia de produção e distribuição de filmes e, junto com o BNDES, “…têm sido os padrinhos do cinema brasileiro”, segundo Toni Venturi, ex-presidente da Associação Paulista de Cineastas.

Outro projeto muito interessante é o CCR Cultura, desenvolvido pela concecionária de rodovias NovaDutra, que criou o Cine Tela Brasil e instala tendas pelas cidades de periferia ao longo das rodovias para a exibição de filmes nacionais.

Iniciativas como o Centro Cultural Banco do Brasil, Espaço Unibanco, HSBC Belas Artes também são um modo de incentivar a produção independente nacional, divulgando filmes que nem sempre chegam às grandes redes de cinema.

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