O imaginário de nossa sociedade é populado por mitos e imagens da publicidade. Com isso, o ser humano perdeu toda a noção do que é espiritual e sua aproximação com a parte espiritual, tosca, é através da noção de liberdade empurrada pela publicidade: que o consumidor é livre para seguir seus instituos, por isso comprar tudo o que lhe der na telha, obter fama e prazer. Eis a transcendência contemporânea.
Ao contrário da liberdade como a conhecem os filósofos clássicos, ou mesmo a Religião Católica, está em voga, em todos os meios, inclusive entre os intelectuais (de esquerda), a noção de que liberdade está intimamente ligada ao desejo. Que liberdade é pode sentir o máximo de prazer sexual. Que liberdade é obter o máximo de prazer estético. Que liberdade é obter o máximo de prazer pelo amor. Que dor é falta de liberdade… Formou-se um binômio liberdade-prazer totalemente epicúreo e que nada tem de real.
Quem crê nesta ideia estapafúrdia, também costuma encontrar-se em apuros quando qualquer um de seus desejos não podem ser supridos: sente-se, pois, como se lhe faltasse a dita liberdade. Esse engodo pode começar quando, por exemplo, não tem para si a pessoa que se deseja; mas seria muita estupidez obrigar o outro a ficar consigo, muito embora essa ideia de liberdade conduza justo a isso. Dá-se, portanto, por frustrado. Quando ele julga que não há tempo para as suas coisas de real interesse, pois ele precisa trabalhar, diz que falta a liberdade em escolher por não trabalhar. Que ele, enfim, não tem a liberdade de simplesmente NÃO TRABALHAR, pois seu desejo assim o quer.
Entretanto, crer neste tipo de liberdade, grosso modo, é na verdade negação da liberdade do indivíduo e, consciente ou inconscientemente, crer que todas as ações estão condicionadas, social e historicamente ou por uma relação causal que diz que as coisas não poderiam ser diferentes do que são. Quem assim crê, afirma que filosoficamente no fundo não escolhemos nada. Eis a falsa liberdade.